Irracionalidade

por Edson Almeida em 28 de Julho de 2014 09:47

O nosso futebol encontra-se na rabeira do Campeonato Brasileiro porque tem batido todos os recordes de irracionalidade. O Bahia, então, que é o nosso clube mais representativo tem levado bola nas costas de todo jeito. O Vitória, seu maior rival, até que deu demonstração no ano passado que poderia seguir mais consistente, com finanças saneadas, planejamento técnico eficiente, fazendo de sua divisão de base um projeto vitorioso a médio e longo prazos.

De repente, estamos duplamente à beira do abismo, cada um com dois míseros triunfos em 12 rodadas de campeonato, o Vitória porteiro do grupo dos degoláveis, com 11 pontos e o Bahia vice-lanterna, com nove pontos, empurrado pela vitória de seu rival sobre o Criciúma, e de Coritiba e Flamengo, contra Grêmio e Botafogo.

Não se pode negar uma aparente melhora rubro-negra ao ganhar do Criciúma, no Heriberto Hulse, lá em SC, por 3x1, mas é muito inseguro afirmar que o time de Jorginho tenha encontrado o caminho de garantir melhores resultados nas próximas rodadas. Pode ter sido mais um resultado enganador como foi aquele contra o Fluminense, antes da Copa, no Maracanã, levando depois oito rodadas sem qualquer sucesso.

Pior mesmo foi o final de semana para o Bahia, que perdeu para o Inter dentro de casa, por 1x0, já entrou em campo com o técnico Marquinhos Santos demitido, voltou a expor suas inúmeras fragilidades e despencou três posições, superando agora apenas o condenado Figueirense. Apesar de todos esses problemas ainda há tempo de recuperação, só que, acima de tudo, o momento exige racionalidade, prudência e, sobretudo, esforço coletivo de todos os segmentos.

O Vitória parece mais focado na busca de uma recuperação, pois já entende que tem erros, que necessita da ajuda de todos; o Bahia, ainda teima em culpar a sorte, jogar suas dificuldades contra a imprensa, enaltecer contratações de reforços de última hora como se fossem jogadores do primeiro escalão mundial. E a maioria da torcida, juntamente com a mídia que ampara as notícias tricolores, tem levado isso a sério, muitas vezes, diante de qualquer resultado positivo, julgando que a equipe esteja cheia de craques e com todos os ingredientes para enfrentar os rigores da competição.

A forma da demissão do técnico Marquinhos Santos foi, acima de tudo, imprudente para o caminhar do clube e desrespeitosa com um profissional sério e dedicado, que não errou sozinho, já que os dirigentes o estavam municiando em conta-gotas, sem a presteza, rapidez e eficiência que o momento exigia. Agora – e isso vale para os dois – tem que se exercitar coerência, colocando logo em condição de jogo todos os reforços contratados ou prometidos, dentro dos verdadeiros limites financeiros de cada um, para poder pagar salários em dia, superando arrogâncias, enfrentando os torcedores com transparência e lealdade.

Do contrário, a segunda divisão será inevitável.

Uma coisa, então, está delineada: sábado é dia D, quem ganhar amanhece o domingo trabalhando no clube, quem perder vai ter que arrumar as malas. O incerto é saber se essa decisão vai resgatar o bom futebol que as torcidas exigem. Porque Bahia e Vitória jogam um futebol pouco expressivo e de difícil recuperação.
 

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