A real pequenez do Esporte Clube Vitória

por Artur Salles Lisboa de Oliveira em 17 de Maio de 2009 16:40

O Esporte Clube Vitória de nada tem de pequeno, apesar da incômoda ausência de um título nacional. Atual tricampeão baiano e com larga vantagem perante o seu rival local nos últimos quinze anos, o clube vem mostrando um grande potencial em campo que, infelizmente, não vem sendo convertido em resultados expressivos. O que realmente é pequeno – e entenda pequeno como falta de profissionalismo e confusão no exercício de uma determinada função – é a postura de um torcedor dirigente fora das quatro linhas.
 
As brincadeiras e gozações são típicas do futebol e nada melhor que aguardar a segunda-feira para incomodar o torcedor do rival com piadas e deboches. As rivalidades alimentam o negócio futebol, pagam parte das folhas salariais dos times e fazem as emissoras de televisão e rádio lucrarem substancialmente. O que é extremamente lamentável é ver o gestor de futebol do Esporte Clube Vitória se colocar como torcedor de arquibancada, transitando nas rádios locais com referências depreciativas ao maior rival como um time de segunda divisão, categoria, estirpe ou o que seja.
 
Parece-me que o mencionado cartola tem um profundo ressentimento em relação ao Esporte Clube Bahia, que diferentemente do clube que o torcedor dirigente administra, conquistou expressivos títulos na seara nacional. E cego por sua pequenez o dirigente não percebe o quanto sua postura é maléfica ao seu próprio clube. O episódio da derrota por 4x0 do Vitória para o Vasco corrobora esse pensamento: o supramencionado passou a semana inteira, após o êxito perante o Atlético Paranaense fora de casa, alardeando aos quatro cantos a qualidade de seu elenco como se o sucesso na Copa do Brasil fosse algo traçado por Deus, inevitável. O provincianismo o fez pensar que vencer o atual campeão Paranaense em Curitiba era o atestado de qualidade do seu time.
 
Com certeza, os jogadores foram ‘contaminados’ pelo excesso de otimismo do dirigente, que brincava nas emissoras de rádio que um gol na primeira divisão valia quatro mais do que na segunda. Imagino sem receio que o ambiente do Esporte Clube Vitória rumo a São Januário era algo tipo: ‘vamos vencer o time carioca da segunda divisão na casa deles’. Os gols sofridos, principalmente os dois primeiros, foram de total falta de atenção, quase desleixo dos zagueiros – possivelmente reflexo de um ambiente excessivamente confiante e, quem sabe, de desmerecimento ao oponente.
 
A lição que fica é que o gestor de futebol por jamais ter alcançado uma conquista expressiva no âmbito nacional, não aprendeu como um dirigente de um grande clube deve se portar perante a imprensa. Quando não se conseguiu muito, títulos locais perante um clube rival de forte projeção nacional – apesar da imagem maculada na última década por sucessivos insucessos – são suficientes para embebedar um torcedor disfarçado de dirigente com alguma fama e sucesso. Espero que o cartola faça as contas corretamente e chegue à conclusão que são precisos para eliminar o Vasco cinco gols, e não apenas dois como sua criativa mente acredita.
 
Artur Salles Lisboa de Oliveira, jornalista.

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