Clima de Copa? Mais ou menos...

por Tarso Duarte em 12 de Junho de 2014 10:29

A tão esperada Copa do Mundo no Brasil enfim vai começar. Quando Brasil e Croácia iniciarem a partida na Arena Corinthians, nós, brasileiros, estaremos iniciando uma caminhada esperada há 64 anos, já que mesmo sendo a maior potência do esporte, ainda não fomos capazes de vencer a competição mais tradicional em casa. Mas então, por que aquele clima de ansiedade e confiança não tomou conta das nossas ruas e do nosso povo?
 
A cada quatro anos, o país apoia nossos jogadores contra o resto do mundo, e mesmo quando estamos desacreditados, ou com um treinador iniciante e teimoso, como foi o caso de Dunga, a nação abraçava a Seleção Canarinho de maneira incondicional, mesmo sem ter esse ou aquele jogador que gostaríamos de ver convocado. Não é o que acontece desta vez.
 
Os dirigentes do nosso futebol trouxeram os dois últimos responsáveis por vencer mundiais, que por sua vez conseguiram apagar a má impressão deixada por Mano Menezes. Venceram a Copa das Confederações com propriedade, formaram uma equipe sólida, com reservas prontos para entrarem e dar conta do recado. Mesmo as poderosas Espanha e Alemanha reconhecem que vai ser difícil tirar a taça de terras brasileiras, mas, ainda assim, não parece que estamos ‘fechados’ com o time de Felipão.
 
O primeiro motivo parece ser o resultado desencadeado com as manifestações ocorridas em 2013. A insatisfação com o gasto absurdo de dinheiro público, que ficou ainda mais evidente na competição do ano passado, parece ter despertado a atenção de grande parte da população para o fato de que mesmo com a Seleção Brasileira provando mais uma vez ser a melhor do mundo, no dia seguinte os problemas sociais do país em nada vão mudar, enquanto boa parte dos nossos rivais não sofrem metade das injustiças do nosso dia-a-dia.
 
O resultado disso é uma grande parcela da população torcendo contra a Seleção (você não leu errado, torcendo contra mesmo!). É impressionante o número de amigos e conhecidos que admitiram torcer contra os comandados de Felipão. “Tomara que saia na primeira fase”, dizem, confiantes de que um fiasco da equipe deixaria ainda mais expostos nossos problemas que deveriam ser resolvidos antes de se pensar em fazer uma Copa do Mundo, onde o prometido “legado” não está garantido, diferente do lucro exorbitante que a Fifa já está tendo e ainda vai ter.
 
O clima ‘anti-copa’ está perceptível até nos telejornais, onde apresentadores e celebridades pedem encarecidamente para os brasileiros entrarem na ‘corrente positiva’. Afinal de contas, quando teremos outra Copa no nosso país, não é mesmo?
 
A desconfiança em relação ao mundial é tamanha que já se fala até que o mundial estaria comprado, para que uma revolta maior do que a já presenciada não aconteça, quando os olhos do mundo estarão voltados para o país. Chega a parecer insanidade, teoria da conspiração exagerada, mas em um país como o Brasil, não se pode duvidar de nada.
 
Há quase sete anos, quando o Brasil foi confirmado como sede do mundial, tínhamos a dúvida do tamanho da festa que teríamos na semana que antecedesse a nossa Copa, o dia da abertura da nossa Copa. Mas, ao que parece, a nossa forma mesquinha de governar, que já está instalada no comando do esporte no país há alguns anos, parece enfim tirar a magia daquela que costumava ser a paixão nacional.   
 
A expectativa é de que quando a bola role, ou ainda quando venha a vitória contra os croatas, as ruas, casas e edifícios enfim se rendam ao verde e amarelo predominante, mas isso só será uma certeza quando ganharmos os três pontos. Ou será que nem com o título nas mãos apoiaremos a Seleção?

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