Coisas do coração

por Edson Almeida* em 09 de Junho de 2014 11:29

Não adianta. O futebol é apaixonante desde as peladas de rua, passando pelas competições oficiais, até as Copas do Mundo. Já viajei a trabalho em quatro Copas (Argentina, Espanha, México e Itália), mas desde 1958, ainda com meus 13 anos, já comecei a ouvir e refletir sobre os mais famosos narradores e comentaristas do país.

De 58 até agora, esta será a 13ª Copa que vou acompanhar com certo discernimento, pois em 62, quando o Brasil conquistou o bicampeonato no Chile, já estava começando a carreira de cronista lá no interior.

Quando se trata de Copa o brasileiro é apaixonado, seja torcedor ou cronista, e muitos foram os exemplos ao longo destas cinco décadas de atuação. Já vi cronista morrer do coração, brigar com companheiros por divergência de opinião, dentro e fora dos Centros de Comunicação. Lá, porém, ´[e onde se faz grandes amizades, onde a maioria esmagadora se esquecer de suas origens, uns opulentos e famosos, outros simples e principiantes, e se tornam uma grande família pulsando forte pela Seleção Brasileira. E isso deve ser entre os alemães, italianos, Frances, espanhóis ou portugueses.

No México, em 1970, houve um “fala-pau” entre cronistas brasileiros e uruguaios e, em 1992, italianos e argentinos se agrediram, uns e outros defendendo suas grandezas futebolísticas.

Neste último domingo, pude catalogar mais um capítulo de desentendimento provocado pela visão de que exageradamente torce pelo futebol de seu país. Num simples amistoso preparatório, em Volta Redonda, interior do Rio, que acabou com a vitória da Seleção Italiana sobre o time do Fluminense, por 5x3.

Bem analisado, admitindo-se que a Itália, quatro vezes campeã do mundo, e que o Flu, mesmo sendo um dos melhores times brasileiro não é uma seleção, o resultado até que não foi desprezível. Só que o comentarista da TV fechada, acabou concordando com uma dezena de torcedores que enviaram e-mails criticando o time comandado pelo baiano Cristóvão Borges, que era uma grande decepção, depois de enfrentar de igual para igual no primeiro tempo e empatar por 2x2, “cometesse a desonra de levar três gols relâmpagos, em 10 minutos de início de segundo tempo, da equipe de Cesare Prandelli, imperdoável”.

Isso é que é colocar o coração acima da razão. Imagine só se a Seleção Brasileira (bata três vezes na madeira), tropeçar nesta primeira fase do Mundial, contra Croácia, México ou Camarões. Vai ser uma tragédia nacional.

Porque todos estão esperando sonoras goleadas e muitas festas nos estádios e nas ruas. Estou na torcida, mas não sinto ainda muita garantia de que seja tão fácil assim. Mesmo quando coloco o coração acima de qualquer sentimento mais racional.  

*Edson Almeida é comentarista esportivo do Galáticos na Itapoan FM

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