Roger completa um ano de Bahia e entra para a história do clube

por Marcelo Muniz (@omarcelomoreira12) em 03 de Abril de 2020 20:00

             

                                                                                         (Créditos:Felipe Oliveira/EC Bahia)

 

O técnico Roger Machado está de parabéns, assim como toda a comissão técnica. No último dia 2 de abril, ele fez história à frente do Bahia ao completar um ano comandando o time principal, um feito inédito na década, pois desde 2007 nenhum treinador havia completado este período à frente do Tricolor de Aço. O último técnico que alcançou essa façanha foi Artuzinho, treinador que tirou o Bahia da Série C naquele ano.
O atual técnico tricolor chegou a marca de 57 partidas oficiais à frente do Esquadrão, com 23 triunfos, 17 empates e 17 derrotas. Com 70 gols marcados e 53 gols sofridos. E mesmo sendo anunciado no dia 02/04/2019, ele só fez sua estreia à beira do campo apenas uma semana depois, no triunfo sobre o CRB-AL por 1 a 0 pela Copa do Brasil de 2019, já começando com “pé quente” à frente do Esquadrão. E, mostrando ter estrela, chegou e conquistou o título do Campeonato Baiano de 2019.
 

              

                                                                                              (Créditos: Mauricio Lima/AFP via Getty Images)
 

 

Carreira como jogador
 
Ele criou raízes como jogador em três clubes: Grêmio, Vissel Kobe (JAP), Fluminense, teve uma breve passagem pelo Flamengo e também pelo D.C United, dos Estados Unidos, onde ficou apenas uma semana na equipe em 2009.
Ele atuou como lateral esquerdo, sendo cria da base do Grêmio, clube pelo qual mais jogou e conquistou títulos, sendo 11 no total. Foi jogador profissional de 1994 a 2009, ano em que deixou o Fluminense, clube onde conquistou a Copa do Brasil de 2007, sob o comando de Renato Gaúcho, um de seus mentores, em seguida assinou com o clube estadunidense, D.C. United, onde pretendia encerrar sua carreira. Entretanto, Roger acabou deixando o time uma semana após a sua apresentação, porque teve um problema na região lombar. Desse modo, ele acabou voltando ao Brasil para se recuperar, porém resolveu encerrar sua carreira de jogador profissional.
 
               

                                                                                                   (Reprodução) 

 


Carreira como técnico
 
Após se Graduar em Educação Física, algo que ele tinha como meta, o ex-jogador voltou ao Grêmio em 2011, para começar sua nova carreira, tendo sido convidado por Renato Gaúcho como Auxiliar Técnico, e depois assumiu o time principal do Grêmio em 2015, onde mudou o estilo de jogo do clube e o patamar técnico que perdura até os dias atuais. Nesse intervalo, ele treinou o Juventude em 2014, na Série C e o Novo Hamburgo em 2015 no Campeonato Gaúcho.
 
Como técnico do Grêmio, Roger ganhou notoriedade, mesmo não tendo conquistado títulos. Ele passou a ser considerado um técnico estudioso e amante do futebol bem jogado, bonito e ofensivo. Até então, o Grêmio era conhecido pelo futebol aguerrido, de muita garra e disposição, mas pobre tecnicamente.
 

              

                                                                                            (Créditos: Lucas Uebel/GFBPA)
 


Características como técnico
 
Uma das características de Roger como treinador é já ter sido jogador. Segundo ele, quem já esteve dentro de campo consegue ter uma visão diferente do jogo, enxerga de uma forma mais íntima e percorre o campo de jogo com mais facilidade.
Como gestor, ele busca harmonia no grupo, algo que aprendeu com seu antigo treinador e um de seus mentores, Luis Felipe Scolari (Felipão), respeitando as diferenças e personalidade de cada jogador. Ele diz, também, ainda pensar como jogador de futebol porque, segundo suas palavras: “nasci como jogador e vou morrer como jogador”.
A faculdade de Educação Física, para ele, não foi determinante para sua carreira como treinador, mas foi importante, porque o ajudou a teorizar toda a prática que ele teve em campo e lhe deu uma base mais sólida para ele sentar com a comissão técnica para discussão sobre seu treinamento técnico-tático.

 

             

                                                                                               (Créditos: Arthur Dallegrave/Juventude)
 
 
Planejamento de carreira
 
Roger tem um planejamento pessoal de “encerrar” sua carreira de treinador aos 50 anos, após fazer 30 anos no futebol. Pensa em parar e refletir sobre qual caminho seguir, se deve parar de vez, “por um tempo” ou continuar no futebol como treinador ou dirigente.
 
O planejamento dele é parar, para reavaliar sua vida e carreira. Após a “aposentadoria” ele pode voltar, como também pode não voltar, porque tem a meta de cursar outra faculdade (psicologia ou ciências sociais), e a partir daí poderá seguir outra carreira.
O maior motivo dele pensar nessa aposentaria precoce, é porque ele se sente incomodado em não fazer parte do dia a dia de sua família, de não ver suas filhas crescerem, de ter de ficar longe de casa por longos períodos, ele sabe que elas sentem falta dele, assim como ele sente muita falta do convívio familiar.
 
Ele se considera um homem de sucesso, pois planejou cursar uma faculdade dos 30 aos 40 anos, e conseguiu. Planejou ser treinador dos 40 aos 50, e conseguiu até antes do planejado, e hoje “já” tem 45 anos de idade.
 

               

                                                                                                       (Créditos: Felipe Oliveira/EC Bahia)
 


Esporte Clube Bahia e afinidade com Salvador
 
Roger Machado chegou ao Bahia logo após um início de ano complicado do Tricolor em 2019. Sob o comando de Enderson Moreira, o Esquadrão tinha sido eliminado precocemente da Copa do Nordeste e da Copa Sul-Americana, algo que nenhum torcedor esperava, e com isso minou a confiança para o restante da temporada. Mas com a chegada, o novo comandante tratou logo de afirmar a quem quisesse ouvir e ler que “O Bahia tem uma história muito grande”, conquistando logo de cara a confiança do exigente e apaixonado torcedor do Bahia. Relembre o que ele disse logo ao chegar no Esquadrão de Aço:


"É uma nova etapa que se abre, a possibilidade de trabalhar novamente num grande clube. Estou muito feliz, muito otimista e acreditando muito que esse trabalho pode gerar muitos frutos".
 “O meu sorriso responde a alegria de trabalhar no Bahia. É um clube com uma história muito grande, tem uma torcida apaixonada e que propôs a possibilidade de conseguir desenvolver o meu trabalho e que esse trabalho possa ter muitas conquistas. O que posso dizer ao nosso torcedor é que chegou um profissional extremamente motivado e disposto a fazer história no clube".


Até o dia 02 de abril de 2020, quando completou um ano à frente do Bahia, Roger chegou a 57 jogos comandando o Tricolor, onde conquistou o Campeonato Baiano de 2019, comandando o time nas finais. Levou o clube a disputar de igual para igual o G-6 do Campeonato Brasileiro, em busca da desejada e difícil vaga para a Libertadores. Também conseguiu levar o Tricolor às quartas de final da Copa Do Brasil de 2019, igualando a melhor campanha do clube nessa competição.
Mas nem só de coisas boas vive um treinador de futebol, especialmente no Brasil. Roger também sofreu derrotas dolorosas, que levou a torcida a questionar seu trabalho, foram elas, a derrota para o Ceará em pleno Pituaçu, de virada por 2 a 1, num jogo em que o triunfo levaria o Bahia ao G-6 de forma consistente, e foi daí que ocorreu a derrocada do time no segundo turno do Campeonato Brasileiro de 2019. O treinador foi muito questionado, mas com a confiança da diretoria do clube, ele foi mantido como treinador do Bahia para 2020, que também começou conturbado para ele, sob muita desconfiança do torcedor o Esquadrão de Aço teve um início de temporada complicado, sofrendo uma traumática eliminação na primeira fase da Copa do Brasil de 2020 para o River-PI, o que mais uma vez fez ele balançar no cargo, novamente a diretoria o manteve firme na confiando no planejamento do seu trabalho. Até a parada dos jogos em 2020 pela pandemia do COVID-19, o time vinha em ascensão com 5 triunfos e 1 empate, entre Copa do Nordeste e Sul-Americana.
Roger tem bastante afinidade com a Bahia, principalmente com a cidade de Salvador. Se identificando com as lutas do clube a favor das minorias e tem orgulho da sua origem africana, fazendo questão de representar o negro no futebol e na sociedade.
Ele define o Bahia em uma só palavra, “Paixão”. A paixão do torcedor pelo clube e do Esquadrão pelo torcedor. Ele percebe isso internamente nesse primeiro ano de clube, e para ele os profissionais do Tricolor são apaixonados pelo Bahia, por sua história e por sua garra, o que influencia na existência de um ambiente muito saudável dentro do clube.

 

               

                                                                                                                        (Reprodução)
 
 
Mentores
 
Roger tem como pilares da sua construção como treinador de futebol os técnicos de quem ele atuou como Auxiliar. Um deles é o Tite, que hoje é o Técnico da seleção brasileira, com quem Machado trabalhou durante 3 anos. O Renato Gaúcho, que foi quem o convidou a voltar ao Grêmio como Auxiliar em 2011. O Celso Roth, que o ensinou bastante sobre a cultura do trabalho diário. O Felipão, que foi técnico dele, durante sua carreiro de jogador profissional, e o ensinou muito sobre o vestiário de um clube de futebol. E Luxemburgo, que também ensinou muito do que ele sabe, e em determinado momento colocou Roger “debaixo do braço”, segundo suas palavras, orientando e o auxiliando no funcionamento de uma equipe de futebol.

 

               

                                                                                                  (Créditos: Lucas Uebel/Grêmio)
 
 
Considerações Finais


Parabéns a Roger e equipe pelo feito que representa algo importante para qualquer clube de futebol no Brasil, pois significa que está sendo feito um trabalho consistente, e que haverá continuidade de um projeto através da confiança do Esporte Clube Bahia e de toda sua Diretoria.


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