Bahia e a sina de afastar o seu torcedor

por Alessandro Isabel em 01 de Agosto de 2016 14:15

Sou jornalista. Não tenho mestrado, pós ou mesmo graduação em marketing. Talvez por isso não consiga compreender os motivos que levam o Esporte Clube Bahia a cobrar valores, em meu ponto de vista, exorbitantes nos uniformes assinados pela nova fornecedora de material esportivo Umbro. Mesmo sem a expertise em marketing/vendas, posso compreender, como leigo no assunto, que a comercialização do padrão tricolor com valores elevados para a realidade da grande maioria dos torcedores do clube, óbvio, terá venda e aceitação no mercado menor.

Vamos observar pelo ponto de vista lógico. Toda e qualquer marca mundial prima pela visibilidade, ou seja, quer estar em evidência. A patrocinadora master, no caso do Bahia a MRV, e as secundárias, seja a Unimed ou a Canaã Alimentos, acredito que queiram aparecer, não apenas nos canais de TV, mas também nas ruas. E qual a melhor maneira para ser observado pelo público que não acompanha partidas de futebol? É estampando a marca nos uniformes.

A torcida do Bahia tem uma atitude bem peculiar: ela tem orgulho do seu manto, suas cores, seu simbolo. Em qualquer local, seja em velório, casamento ou viagens internacionais, você sempre encontrará uma camisa do Tricolor. Faz parte do vestuário diário do torcedor e esse comportamento não é algo forçado, é extremamente espontâneo. Outro ponto positivo é o fato do Esquadrão possuir a maior torcida das regiões Norte e Nordeste. Público o clube tem, mas o amor incondicional e o grande número de seguidores/admiradores/apaixonados não dão direito as diretorias de Bahia e Umbro explorarem o torcedor.

Cobrar R$ 229,00 em uma camisa básica, sem nem uma novidade em relação a anterior, só por ter mudado o nome da fornecedora não dá direito de privar os maiores patrocinadores de adquirirem o novo uniforme. Sei que virão questionamentos que já ouvi: "tem quem pode e não quem quer". Não concordo. E não concordo pelo simples fato de saber que o Bahia pode cobrar um valor mais acessível. Por saber que a prática mercadológica de marketing tem tirado o amor e o orgulho que ainda resta nessa torcida tão sofrida.

Como se já não bastasse o valor dos ingressos astronômicos, o futebol pífio exibido dentro de campo, oferecer uniformes com preços justos seria a oportunidade de demonstrar o mínimo de respeito com o torcedor, mas a chance - como sempre - foi desperdiçada pela diretoria que mais uma vez reforça e teoria de que o futebol deixou de ser paixão para se transformar em negócio. Para eles não somos torcedores e sim clientes. Não entendo de marketing, nem quero entender. Entendo de orgulho. E isso, felizmente, não se compra.

Alessandro Isabel* é jornalista e comunicólogo baiano 

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